O Bradesco encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro líquido recorrente de R$ 7,05 bilhões, alta de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado e de 3,5% frente ao primeiro trimestre. O resultado marca o décimo trimestre consecutivo de crescimento do lucro recorrente, impulsionado pela expansão da carteira de crédito, aumento da margem financeira e desempenho consistente da operação de seguros.
As receitas totais somaram R$ 37,6 bilhões, crescimento de 10,3% na comparação anual. A margem financeira avançou 15,7% em relação ao segundo trimestre de 2025, alcançando R$ 20,9 bilhões, refletindo tanto o aumento do volume de crédito quanto o melhor desempenho das operações com mercado e derivativos.
A carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,137 trilhão, crescimento de 11,6% em doze meses. Entre os destaques estiveram as operações com garantias, como capital de giro colateralizado, crédito consignado privado, financiamento de veículos, crédito rural para grandes empresas, títulos e valores mobiliários, além de avais e fianças. Segundo o banco, a estratégia continua priorizando linhas de menor risco e maior retorno ajustado.
A inadimplência acima de 90 dias encerrou o trimestre em 4,3%, com leve aumento de 0,2 ponto percentual na comparação anual. O Bradesco informou que a alta ficou dentro das projeções e foi influenciada principalmente pelo segmento de micro, pequenas e médias empresas, em razão do tempo necessário para execução das garantias em operações de capital de giro. O banco também destacou que ampliou as renegociações dentro do programa Desenrola Brasil, sem aumento da participação da carteira reestruturada no total do crédito.
O resultado da operação de seguros permaneceu como um dos principais pilares do desempenho. O lucro líquido recorrente do Grupo Segurador alcançou R$ 2,9 bilhões, crescimento de 28,3% sobre o segundo trimestre de 2025, favorecido pelo controle da sinistralidade, avanço comercial e melhora do resultado financeiro.
As despesas operacionais seguiram sob controle, apesar dos investimentos em tecnologia e transformação digital. As despesas de pessoal e administrativas totalizaram R$ 13,1 bilhões, enquanto o índice de eficiência operacional recuou para 46,5%, uma melhora de 3,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior, refletindo ganhos de produtividade e redução de custos operacionais.
O banco informou ainda que mantém a execução acelerada de seu plano de transformação, com expansão dos canais digitais, fortalecimento dos serviços voltados para clientes de alta renda e pequenas empresas, além da ampliação da atuação em produtos estruturados, mercado de capitais e financiamento de veículos. Segundo a instituição, mais de 30 milhões de clientes já utilizam exclusivamente canais digitais.
Na agenda de sustentabilidade, o Bradesco informou ter alcançado 92,5% da meta corporativa de direcionar R$ 450 bilhões para atividades com benefícios socioambientais até dezembro de 2026. O banco também destacou sua participação nas rodadas do programa Eco Invest Brasil para ampliar o financiamento de projetos ligados à transição para uma economia de baixo carbono.
Mesmo com a melhora dos resultados, o Bradesco ressaltou que acompanha o aumento dos riscos da economia brasileira, citando o ambiente de juros elevados, o crescimento do comprometimento da renda das famílias e a deterioração do cenário macroeconômico apontada pelo Banco Central como fatores que exigem cautela na concessão de crédito.