O GPA (PCAR3) encerrou o segundo trimestre de 2026 com queda nas vendas, mas avanço da rentabilidade operacional e redução expressiva do endividamento projetado após a conclusão do plano de recuperação extrajudicial. A companhia registrou receita bruta de R$ 4,713 bilhões, queda de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto o EBITDA ajustado cresceu 7,3%, para R$ 450 milhões, elevando a margem de 9% para 10,6%. O prejuízo líquido das operações continuadas foi de R$ 204 milhões, alta de 15,5% na comparação anual.
Segundo a companhia, a redução das vendas refletiu principalmente a descontinuação do formato Aliados, o reequilíbrio das operações de e-commerce para priorizar canais mais rentáveis e os impactos temporários da recuperação extrajudicial sobre o abastecimento das lojas. Em vendas nas mesmas lojas, a retração foi de 0,8%, concentrada nos dois primeiros meses do trimestre, enquanto junho voltou a apresentar crescimento das vendas com a normalização gradual da operação.
A estratégia de priorização da rentabilidade impulsionou a margem bruta para 30,5%, avanço de 3,1 pontos percentuais em relação ao segundo trimestre de 2025. O desempenho foi atribuído pela empresa à descontinuação do formato Aliados, às mudanças na tributação do ICMS sobre determinados produtos, ao aumento da rentabilidade do e-commerce, ao crescimento das receitas de retail media e aos ganhos de eficiência operacional e logística.
As despesas com vendas, gerais e administrativas caíram 2,6%, para R$ 883 milhões, refletindo medidas do Plano de Eficiência 2026, que inclui redução do quadro de funcionários, revisão de contratos, otimização logística, renegociação de despesas de ocupação e redução de gastos com publicidade. No primeiro semestre, a companhia informou ter capturado R$ 244 milhões em eficiência, equivalente a 58,9% da meta anual de R$ 415 milhões. Os investimentos em capital (Capex) somaram R$ 162 milhões, redução de 55% na comparação anual.
No comércio eletrônico, as vendas recuaram 16,2%, para R$ 504 milhões, em linha com a estratégia de concentrar operações no canal próprio (1P), considerado mais rentável. A participação do e-commerce nas vendas totais ficou em 11,1%, enquanto o canal próprio ampliou sua participação no mix digital em 6,5 pontos percentuais em relação ao ano anterior.
Na frente financeira, a companhia destacou os efeitos esperados da recuperação extrajudicial. Em base pro forma, a dívida líquida deve cair de R$ 3,647 bilhões para R$ 1,182 bilhão, redução de 68%, enquanto a alavancagem financeira recuaria de 3,9 vezes para 1,3 vez o EBITDA ajustado. O GPA informou que aguarda a homologação judicial do plano, esperada para o terceiro trimestre, para emitir novas debêntures e concluir a reestruturação financeira.
Apesar da melhora operacional, o resultado líquido permaneceu pressionado. A empresa explicou que o prejuízo das operações continuadas foi impactado pelo resultado financeiro e observou que o segundo trimestre de 2025 havia sido beneficiado por um efeito positivo não recorrente relacionado a outras receitas operacionais. Excluindo esse efeito, o desempenho apresentou melhora na comparação anual, segundo a companhia.