A Auren Energia encerrou o segundo trimestre de 2026 com receita líquida recorde e redução do prejuízo, mesmo diante dos impactos do curtailment — cortes obrigatórios na geração de energia renovável determinados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) — e do menor desempenho da comercialização de energia. O período também foi marcado pelo avanço da reorganização societária da companhia e pela reta final das obras do complexo eólico Cajuína 3.

A receita líquida consolidada somou R$ 3,06 bilhões entre abril e junho, crescimento de 5,9% em relação ao mesmo período de 2025. O EBITDA ajustado alcançou R$ 858,9 milhões, queda de 12,4% na comparação anual, enquanto o prejuízo líquido foi reduzido para R$ 379,1 milhões, ante perda de R$ 562,9 milhões registrada um ano antes.

Segundo a empresa, o resultado refletiu principalmente a redução do desempenho da comercializadora de energia, o menor recurso eólico disponível e o aumento do curtailment em relação ao segundo trimestre de 2025. Ainda assim, a companhia destacou ganhos de modulação de R$ 70,5 milhões, que compensaram parte das perdas provocadas pelos cortes de geração, estimadas em R$ 97,8 milhões no trimestre.

Na operação, a geração própria totalizou 3.250,5 MW médios no trimestre, alta de 1,3%. A geração hidrelétrica cresceu 8,9%, para 1.943,3 MW médios, enquanto a geração eólica recuou 9,9%, refletindo condições menos favoráveis de vento e maior volume de restrições operacionais. A geração solar avançou 7,2%.

A empresa informou ainda que reduziu sua dívida líquida em R$ 194,2 milhões no trimestre. Apesar disso, a alavancagem medida pela relação dívida líquida/EBITDA ajustado ficou em 5,3 vezes, acima dos 4,8 vezes registrados um ano antes, em razão da redução do EBITDA acumulado em 12 meses. A expectativa da companhia é estabilizar esse indicador ao longo de 2026 e iniciar uma trajetória de queda a partir de 2027.

Na frente de expansão, a Auren informou que o projeto eólico Cajuína 3, com capacidade instalada de 112,1 MW, atingiu cerca de 88% de execução. Os primeiros aerogeradores já iniciaram a fase de testes, enquanto a entrada em operação comercial permanece prevista para dezembro deste ano.

A companhia também destacou avanços na reorganização societária. A primeira etapa foi concluída em maio, com a incorporação da Auren Participações pela Auren Operações. A fase seguinte, que prevê a incorporação da Auren Operações pela CESP, já foi aprovada internamente e depende agora do cumprimento de condições precedentes, incluindo autorizações regulatórias.

Outro ponto relevante do trimestre foi a publicação da Portaria Normativa nº 140/2026, do Ministério de Minas e Energia, que regulamentou o processo de compensação financeira para geradores eólicos e solares afetados por cortes de geração entre setembro de 2023 e novembro de 2025. A Auren estima que poderá receber aproximadamente R$ 300 milhões e informou que avalia a adesão ao mecanismo dentro do prazo previsto pela regulamentação.