A Marcopolo encerrou o segundo trimestre de 2026 com aumento de produção e de receita, mas registrou queda nos principais indicadores de rentabilidade. A fabricante produziu 4.105 ônibus entre abril e junho, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida avançou 3%, para R$ 2,37 bilhões. Apesar disso, o lucro líquido caiu 15,5%, para R$ 271,2 milhões, e o EBITDA recuou 15%, totalizando R$ 338,6 milhões.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo mercado brasileiro, onde a produção cresceu 19,4%, favorecida pelo aumento das entregas de micro-ônibus destinados aos programas federais Caminhos da Saúde e Caminho da Escola. No exterior, porém, a produção caiu 40,5%, refletindo a redução das operações na Argentina, México e África do Sul.
Segundo a companhia, a receita foi sustentada pelo crescimento das entregas de micros e pelo aumento das exportações realizadas a partir do Brasil. As vendas no mercado interno somaram R$ 1,46 bilhão, alta de 11,3%, enquanto as exportações cresceram 16,2%. Em contrapartida, a receita das operações internacionais recuou 16,3%.
Mesmo com o avanço das vendas, a margem bruta caiu de 25,7% para 21,9%. A empresa atribui o resultado ao maior peso dos micro-ônibus, de menor valor agregado, ao aumento dos custos de matérias-primas, especialmente derivados de petróleo, à valorização do real frente ao dólar, que reduziu a rentabilidade das exportações, e ao menor desempenho das operações na Argentina e no México. Também houve impacto não recorrente de R$ 10,4 milhões com a reestruturação da controlada argentina Metalsur.
No mercado brasileiro, a participação da Marcopolo na produção nacional de carrocerias para ônibus aumentou para 48,3%, ante 47,7% no segundo trimestre de 2025. O setor como um todo produziu 7.634 unidades no período, crescimento de 12% na comparação anual.
Para o segundo semestre, a companhia espera recuperação gradual nas entregas de ônibus rodoviários, impulsionada pela sazonalidade e pelos efeitos do programa Move. A empresa também aguarda a homologação da nova fase do programa Caminho da Escola, na qual se habilitou para fornecer, direta ou indiretamente, até 7.210 veículos, entre micros, urbanos e modelos Volare.