A diretora de Exploração e Produção da Petrobras (B3: PETR4), Sylvia Anjos, afirmou que ampliar a oferta de gás natural é o principal caminho para aumentar a competitividade do mercado e reduzir os preços ao consumidor. A declaração foi feita nesta quarta-feira (29), durante a abertura do evento Sergipe Oil & Gas.

Na apresentação, a executiva comentou a proposta de implantação do gas release, mecanismo regulatório que obrigaria empresas com elevada participação no mercado a disponibilizar parte de sua oferta de gás para concorrentes.

Segundo Sylvia Anjos, a Petrobras concorda com o objetivo de ampliar a concorrência e reduzir o custo do gás natural, mas entende que o gas release não é, neste momento, uma medida adequada, necessária ou proporcional.

A diretora argumentou que o mercado brasileiro já passou por um processo de desconcentração nos últimos anos. De acordo com a executiva, a participação da Petrobras na comercialização de gás caiu de 100% para 56% em menos de cinco anos.

Ela acrescentou que atualmente 32 empresas atuam na comercialização de gás natural no país. Enquanto a Petrobras possui 65 contratos de compra e venda de gás, outros agentes somam mais de 180 contratos.

"Esse cenário demonstra um nível de abertura do mercado superior ao observado em países da Europa, tornando a adoção da medida desnecessária no atual estágio do mercado brasileiro", afirmou.

Na avaliação da companhia, o gas release não aumenta a oferta de gás nem garante a redução do preço da molécula. Segundo Sylvia Anjos, a forma mais eficiente de tornar o insumo mais competitivo é ampliar a produção nacional.

A executiva também destacou que projetos de produção de gás natural em áreas offshore exigem segurança regulatória e previsibilidade para atrair investimentos.

"Não é possível justificar um investimento sem a segurança de que será possível comercializar aquilo que foi produzido", afirmou.