O Índice de Confiança da Indústria (ICI) caiu 2,9 pontos em julho, para 97,2 pontos, registrando a maior queda desde setembro de 2025, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE). Na média móvel trimestral, o indicador avançou 0,4 ponto, alcançando 98,1 pontos.

O resultado foi influenciado pela deterioração tanto da percepção sobre a situação atual quanto das expectativas para os próximos meses.

O Índice de Situação Atual (ISA) recuou 2,2 pontos, para 99,9 pontos, enquanto o Índice de Expectativas (IE) caiu 3,7 pontos, para 94,6 pontos, o menor nível desde dezembro de 2025.

A queda da confiança foi disseminada entre os segmentos pesquisados. Segundo a FGV, 14 dos 19 setores industriais registraram piora no indicador em julho.

De acordo com o economista do FGV IBRE, Stéfano Pacini, a indústria apresentou uma recomposição dos estoques após um primeiro semestre de normalização, enquanto a demanda mostrou uma queda pontual, mas ainda permanece em nível considerado satisfatório, principalmente nos setores ligados aos bens de consumo duráveis.

Em relação às expectativas, Pacini afirmou que o resultado reflete o aumento da instabilidade provocado pelas novas tarifas de importação anunciadas pelos Estados Unidos. Segundo ele, a piora disseminada da confiança também acende um alerta para os próximos meses, período em que devem se intensificar os debates relacionados às eleições, elevando o nível de incerteza.

O economista também destacou que o ambiente macroeconômico continua dividido entre fatores que limitam a atividade, como juros elevados e inflação ainda pressionada, e elementos de sustentação, como políticas de estímulo setoriais e um mercado de trabalho estável.